ASA realiza 2º Encontro Integrativo – CEIs, CCAs, CDI e CCInter para seus colaboradores
No dia 4 de julho, foi realizada a segunda edição do Encontro Integrativo no CEI São Luis Gonzaga, reunindo mais de 250 profissionais dos Centros de Educação Infantil (CEIs), Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs), Centro Dia para Idosos (CDI), Centro de Convivência Intergeracional (CCInter) e da unidade Central.
Com o tema letramento racial, o encontro convidou colaboradores a refletirem sobre práticas institucionais que, muitas vezes, reproduzem desigualdades de forma não intencional, propondo caminhos para a construção de ambientes mais equitativos, afetivos e seguros para todos.
Apesar de essenciais, encontros internos com essa estrutura e intencionalidade ainda são raros no terceiro setor. Para instituições que atuam com públicos historicamente vulnerabilizados, investir na formação contínua das equipes é uma estratégia fundamental de cuidado e qualificação do atendimento.
Na ASA, esta edição do Encontro Integrativo reafirmou o compromisso com a equidade racial e proporcionou um momento potente de integração entre os serviços oferecidos nas 14 unidades espalhadas por São Paulo.
Durante a abertura do evento, Melissa Pimentel, superintendente executiva da ASA, reforçou o espírito que guiou a iniciativa:
“Que possamos valorizar as ideias, os aprendizados e as trocas de experiências proporcionadas ao longo deste dia. A expectativa é que cada colaborador saia deste encontro fortalecido com conteúdo, acolhimento e interação. Que essa vivência inspire reflexões sobre nossas práticas cotidianas e contribua para que a ASA siga avançando em seu compromisso com a equidade e a excelência no atendimento.”
O presidente do Conselho de Administração da ASA, Luis Álvaro Moreira Ferreira Filho, também reforçou a importância do tema:
“O racismo não é um tema que está relacionado a dinheiro ou religião, é um tema que vem da história da humanidade. Temos que fazer o dia de hoje ser melhor do que ontem, principalmente relacionado a esse tema.”
O racismo não é uma falha pontual de caráter, mas sim uma estrutura histórica, enraizada nas instituições e nas relações sociais. Trata-se de um sistema que organiza o acesso a direitos, oportunidades e espaços de poder — e que opera silenciosamente no cotidiano.
Manifesta-se de forma velada, em situações que muitas vezes passam despercebidas. Por exemplo: quando um corpo negro é observado com desconfiança, quando uma criança negra é repreendida com mais severidade ou quando uma profissional negra precisa constantemente reafirmar sua competência para ser levada a sério.
A necessidade do letramento racial, portanto, vai muito além do conhecimento teórico — exige sensibilidade, escuta ativa, desconstrução de privilégios e uma mudança profunda nas práticas institucionais e pessoais.
A programação do Encontro Integrativo contou com palestras da equipe do Centro de Referência de Promoção da Igualdade Racial (CRPIR) — representado pelo advogado técnico Milton Barbosa — e da educadora e pesquisadora Silvia Silva.
Milton apresentou uma distinção clara entre racismo e injúria racial, destacando que, embora frequentemente confundidos, os dois conceitos são diferentes tanto juridicamente quanto em seus impactos sociais. Sua fala evidenciou como o racismo estrutura desigualdades e como a injúria racial atinge as pessoas de maneira direta:
“O racismo está nas estruturas. Está no sistema que impede o avanço da população negra. Ele não depende de ofensa direta. Ele se expressa nas estatísticas, nas ausências e nas exclusões.”
Silvia, por sua vez, abordou o letramento racial como um processo contínuo de consciência e transformação. Ela destacou que compreender o racismo exige reconhecer suas manifestações no cotidiano e atuar de forma crítica e coletiva:
“O letramento racial é um processo. Ele passa pela escuta ativa, pelo desconforto necessário, pela mudança de mentalidade. E não é algo que se faz sozinho — é um exercício coletivo.”
Durante o Encontro Integrativo, foi relançado o Manual Antirracista da ASA, elaborado por crianças e adolescentes do CCA Primavera, em parceria com o Instituto Vladimir Herzog. O material surgiu a partir de oficinas, rodas de conversa e pesquisas internas, reunindo orientações práticas para a promoção da equidade racial.
A socioeducadora Ruth Costa, que liderou a construção do manual, destacou o caráter coletivo do documento:
“Este manual é uma ferramenta viva. Ele não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida para aprofundar o nosso compromisso com a equidade racial.”
A expectativa é que o material seja utilizado em formações contínuas, rodas de conversa com as equipes e no planejamento de ações afirmativas dentro e fora das unidades da ASA.
Complementando as palestras, o Encontro Integrativo ofereceu oficinas conduzidas pelo Instituto Afinando Vidas, com temas como autocuidado, identidade, ancestralidade e práticas antirracistas no cotidiano. As atividades utilizaram metodologias participativas, com foco na sensibilização, no diálogo e na construção coletiva.
Jessy Belfort, gerente de Desenvolvimento Organizacional e Pessoas da ASA, apresentou os avanços institucionais no enfrentamento ao racismo estrutural. Um dos marcos recentes foi a conquista do Selo de Igualdade Racial, que reconhece organizações comprometidas com a equidade racial em suas práticas internas.
“Receber o Selo de Igualdade Racial em 2024 foi mais que um reconhecimento — foi um impulso para seguirmos firmes no compromisso com a diversidade. Hoje, 58% do nosso time é formado por pessoas pretas e pardas, e queremos ir além: ampliar essa representatividade também nos cargos de liderança, áreas administrativas e nos programas de estágio e de jovens aprendizes.”
O compromisso com a equidade racial precisa ser contínuo e institucionalizado, presente nas estruturas, nos processos e nas relações de toda organização. E para ASA, instituição com mais de 80 anos de história e atuação, a realização desse Encontro Integrativo foi mais uma ferramenta potente para fortalecer esse propósito.
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