No Dia Internacional da Educação, a ASA celebra a trajetória da Educação Infantil — da assistência ao reconhecimento como educação essencial para o desenvolvimento humano.
Celebrado em 24 de janeiro, o Dia Internacional da Educação é um convite global à reflexão sobre o papel da educação na promoção de direitos, na redução das desigualdades e na construção de sociedades mais justas e sustentáveis. Mais do que uma data comemorativa, trata-se de um momento para reconhecer avanços, reafirmar compromissos e fortalecer políticas públicas que garantam o acesso à educação de qualidade para todas as pessoas, desde os primeiros anos de vida.
No Brasil, essa reflexão passa, necessariamente, pela Educação Infantil — etapa que, ao longo da história, deixou de ser compreendida apenas como um serviço assistencial para se consolidar como um direito da criança. A Associação Santo Agostinho (ASA) acompanha e integra esse processo de transformação há mais de 80 anos, com atuação contínua junto a crianças, famílias e comunidades.
Durante grande parte do século XX, o surgimento das creches no Brasil esteve diretamente ligado às transformações sociais e econômicas, especialmente à crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho. Nesse contexto, o atendimento às crianças pequenas tinha como principal objetivo oferecer cuidado, proteção e alimentação, garantindo que as mães pudessem trabalhar.
As creches eram vistas, majoritariamente, como espaços de assistência social, voltados à guarda das crianças, e não como ambientes educativos estruturados. A dimensão pedagógica ainda não era reconhecida como elemento central do desenvolvimento infantil. Foi nesse contexto que se iniciou a atuação da ASA na primeira infância.
A história da Associação Santo Agostinho se entrelaça com a própria evolução da Educação Infantil no Brasil. Em maio de 1951, por meio de uma alteração em seu estatuto, a ASA passou a atuar formalmente como uma entidade assistencial e criou a Creche Lar Infantil, a sua primeira unidade instalada em um casarão alugado na Rua Augusta, na cidade de São Paulo.
A iniciativa surgiu da necessidade concreta de apoiar mulheres trabalhadoras, oferecendo um espaço seguro para as crianças pequenas durante a jornada de trabalho. Desde o início, a ASA assumiu um papel relevante na resposta às demandas sociais do seu tempo, com foco na proteção da infância.
Em 1962, a ASA recebeu o título de Utilidade Pública — um marco importante de reconhecimento institucional — e celebrou seu primeiro convênio com a Prefeitura de São Paulo, ampliando sua atuação em parceria com o poder público. Esse movimento fortaleceu o atendimento oferecido e contribuiu para a consolidação das creches como equipamentos essenciais da política social urbana.
As primeiras creches surgiram em São Paulo no início do século XX com uma função predominantemente assistencial. Criada em 1913, a Creche Baronesa de Limeira tinha como objetivo garantir o cuidado básico de crianças enquanto suas mães trabalhavam nas fábricas. Somente em 1969 foi inaugurada a primeira creche municipal, vinculada ao poder público.
A partir dos anos 1970, o debate sobre as creches ganhou novos contornos. Além da ampliação de vagas, passou a incorporar a defesa da qualidade pedagógica. Entre 1978 e 1982, o Movimento de Luta por Creches, protagonizado por famílias trabalhadoras, foi fundamental para afirmar as creches como espaços educativos.
Nas décadas seguintes, pesquisas e mudanças nas políticas públicas reforçaram a importância da primeira infância para o desenvolvimento humano. Esse entendimento se consolidou com a Constituição Federal de 1988 e foi aprofundado pela LDB/1996, que reconheceu a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica, organizada em creches e pré-escolas, sendo esta última obrigatória.
Documentos mais recentes, como a BNCC e o Plano Nacional de Educação, reafirmaram a criança como sujeito de direitos e estabeleceram metas para ampliar o acesso. Ainda assim, os dados mostram desafios persistentes: em 2024, a cobertura da pré-escola chegou a 94,6%, e o atendimento em creches permaneceu abaixo de 40%.
Em resposta a esse cenário, o MEC lançou, em 2025, o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), com ações de apoio técnico e financeiro para fortalecer a expansão do acesso, a qualidade e a equidade na Educação Infantil em todo o país.
Segundo Maria Eugênia Franco, pedagoga e Coordenadora Geral dos Centros de Educação Infantil da ASA, todo esse percurso histórico representou uma mudança estrutural. “A creche passou a ser reconhecida como um espaço de aprendizagem, convivência, brincadeira e desenvolvimento integral, no qual educar e cuidar são dimensões indissociáveis”, afirma.
Ela ressalta ainda que diversos estudos apontam que investir na primeira infância é uma das estratégias mais eficazes para reduzir desigualdades educacionais, promover equidade e garantir melhores oportunidades ao longo da vida.
“A Educação Infantil de qualidade impacta diretamente o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e cultural das crianças. Experiências educativas significativas nessa etapa da vida contribuem para melhores resultados educacionais futuros, maior permanência na escola e melhores condições de inserção social”, completa Maria Eugênia. A oferta de Educação Infantil também é considerada por especialistas como um fator central para a promoção da equidade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
Ao longo das décadas, a ASA consolidou sua atuação na Educação Infantil, evoluindo de uma resposta assistencial para um trabalho educativo alinhado às diretrizes legais e pedagógicas que reconhecem as crianças como sujeitos de direitos.
Atualmente, atende mais de 860 bebês e crianças em seis Centros de Educação Infantil (CEIs) conveniados à Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo. As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, seguindo o Currículo da Cidade e a BNCC, e garantem educação gratuita e de qualidade, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta se concretiza em ambientes acolhedores, com rotinas que integram cuidado, desenvolvimento integral e alimentação balanceada, conforme as diretrizes da Coordenadoria de Alimentação Escolar (CODAE)/SME.
Em 2024, a ASA aprofundou a ressignificação de suas práticas pedagógicas, colocando o protagonismo infantil no centro do trabalho. Os projetos passaram a partir dos interesses das próprias crianças, fortalecendo a escuta, a investigação e a construção coletiva do conhecimento. “Em 2026, seguiremos investindo na formação das equipes e no fortalecimento do projeto pedagógico, reafirmando nosso compromisso com uma Educação Infantil de qualidade”, afirma Maria Eugênia.
Hoje, a sociedade reconhece a Educação Infantil como base essencial da formação humana, decisiva para o desenvolvimento cerebral, emocional e social das crianças. Ao mesmo tempo, os dados evidenciam que garantir esse direito com equidade ainda é um desafio urgente. Ao assegurar acesso a ambientes educativos acolhedores, intencionais e bem estruturados, é possível reduzir desigualdades que, muitas vezes, se instalam ainda nos primeiros anos de vida.
“A Educação Infantil é uma etapa estruturante para a construção de trajetórias mais equitativas. Investir na primeira infância é reafirmar o compromisso com a equidade educacional e com o desenvolvimento integral das crianças desde os primeiros anos. Essa compreensão orienta a nossa atuação e sustenta nosso compromisso histórico com a infância”, ressalta Melissa Porto Pimentel, Superintendente Executiva da ASA.
A ASA segue comprometida com políticas e práticas que valorizam não apenas o cuidado, mas a dimensão educativa das interações, o fortalecimento das famílias e a construção de experiências significativas desde a primeira infância. Reconhecer a trajetória — da assistência ao reconhecimento da creche como espaço educativo — é reafirmar valores fundamentais: respeito à infância, cuidado com as relações e compromisso com o desenvolvimento integral de cada criança.
Neste Dia Internacional da Educação, a ASA celebra sua história e reafirma sua missão de transformar ao educar e cuidar de crianças, oferecendo oportunidades de desenvolvimento pessoal com respeito e dignidade.
Conheça as formas de apoiar a ASA e investir na educação!