Conheça as ações da ASA que apoiam trajetórias seguras desde a infância
O mês de março é um convite à reflexão sobre os direitos das mulheres, a igualdade de gênero e o enfrentamento da violência, fomentado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 – um marco dessa mobilização. No entanto, essa reflexão é atravessada por uma dura e persistente realidade: a violência de gênero continua a marcar o cotidiano e aparece com frequência no noticiário, evidenciando desigualdades estruturais e situações de abuso que atingem mulheres e meninas em diferentes contextos.
Diante desse cenário, silenciar a luta ou impedir o debate não protege — ao contrário, favorece a continuidade dessas violências. Enfrentar esse problema exige ação coletiva e estratégias consistentes de prevenção, nas quais a educação tem forte contribuição para a formação de comportamentos, papéis e expectativas sociais.
Mais do que reconhecer o problema, é preciso agir. A discussão sobre gênero, respeito e diversidade nas escolas e em outros espaços socioeducativos e de proteção social é fundamental para desconstruir estereótipos, prevenir violências e promover relações mais igualitárias. Falar sobre o corpo com crianças pode parecer delicado, mas é parte essencial para um desenvolvimento saudável. Quando essas conversas acontecem de forma clara, respeitosa e adequada à idade, fortalecem a autoestima, a autonomia e a capacidade de reconhecer limites — próprios e dos outros.
É nesse contexto que no CCA Gaetano e Carmela crianças participaram, em março, de uma atividade de contorno do corpo humano. De forma lúdica e participativa, aprenderam a nomear corretamente as partes do corpo, refletir sobre a importância de respeitar os próprios limites e conversar sobre situações que podem gerar desconforto.
“A atividade abriu espaço para perguntas, trocas de experiências e aprendizados importantes. Ao compreender melhor o próprio corpo e reconhecer que todos têm direito ao respeito e ao cuidado, as crianças desenvolvem maior consciência corporal e confiança para expressar sentimentos e buscar ajuda quando necessário”, explica Priscila Matos de Nascimento Bellarmino, Coordenadora Geral dos CCAs da ASA. Segundo ela, a iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à proteção e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, entre as quais se destaca o projeto Previna-se, que promove atividades de educação sexual, saúde, cidadania e direitos.
Em sua quarta edição, o projeto Previna-se tem como foco ampliar o conhecimento sobre o corpo, prevenir violências e fortalecer os direitos de crianças e adolescentes. O projeto realiza ações socioeducativas integradas, promove escuta qualificada e mantém articulação permanente com as famílias e com a rede de proteção. Atualmente, atende 690 beneficiários diretos de todos os CCAs administrados pela ASA e conta com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (Condeca/SP) e parceria das empresas Mattos Filho, MedSênior, Raia Drogasil e Track&Field.
“Por meio de oficinas socioeducativas e atividades participativas, o projeto promove espaços de diálogo e aprendizagem sobre temas fundamentais do processo de desenvolvimento. Como as transformações do corpo, os aspectos emocionais da infância e da adolescência, o autocuidado, o respeito nas relações e o acesso a informações qualificadas. As ações buscam fortalecer a autonomia, ampliar o conhecimento sobre direitos e contribuir para que crianças e adolescentes desenvolvam recursos para fazer escolhas mais conscientes e seguras em suas trajetórias de vida.”, afirma Renata Cirilo – responsável pela coordenação do projeto.
Além das atividades com crianças e adolescentes, o Previna-se também oferece suporte às equipes dos CCAs e promove o diálogo com as famílias, ampliando a circulação de informações e fortalecendo o convívio familiar como estratégia de prevenção de violências. O projeto inclui ainda encontros formativos, orientação às equipes técnicas e articulação contínua com o Sistema de Garantia de Direitos e com a rede local de proteção. Também são realizados acolhimentos individuais e acompanhamentos de situações que exigem atenção especial, com encaminhamentos e monitoramento de casos críticos em parceria com serviços públicos e outras instituições da rede.
Segundo a UNESCO, a violência baseada em gênero nas escolas (VBGE) atinge milhões de crianças, famílias e comunidades em todo o mundo. Caracteriza-se por atos ou ameaças de violência sexual, física ou psicológica dentro ou no entorno das escolas, motivados por normas e estereótipos de gênero e por relações desiguais de poder, ocorrendo em diferentes contextos culturais, geográficos e econômicos.
Em sua publicação Orientações Internacionais para o enfrentamento da violência baseada em gênero nas escolas, o órgão destaca que a educação é um importante veículo para a transformação de comportamentos individuais e de normas sociais mais amplas relacionadas à violência, à igualdade e à discriminação de gênero.
Nesse sentido, a prevenção deve orientar todas as ações, desde o desenvolvimento de políticas públicas até o trabalho com famílias. No dia a dia, em espaços seguros e acolhedores, intervenções extracurriculares podem funcionar como portas de entrada para o enfrentamento das violências, ao fortalecer habilidades fundamentais para a vida de crianças e adolescentes, como autoconhecimento, comunicação, respeito aos limites e resolução de conflitos.
Na ASA, o Previna-se tem essa relevância e é um exemplo de prática concreta de ações socioeducativas desenvolvidas com crianças e adolescentes. A instituição busca criar espaços seguros para conversar, aprender e compartilhar experiências com foco no fortalecimento de vínculos, respeito e responsabilidade nas relações.
“A mobilização em torno do mês de março reforça a urgência de enfrentar a violência e criar ambientes seguros para mulheres, crianças e adolescentes. Nossa premissa é a formação de cidadãos mais conscientes como prevenção. Afinal, a luta pelos direitos das mulheres está profundamente ligada à proteção de crianças e adolescentes. Educar para o respeito, falar sobre o corpo de forma adequada e fortalecer a autonomia desde cedo são passos essenciais para a construção de formas de masculinidade que não estejam associadas à violência, dominação ou machismo”, destaca Priscila.
No mês do Dia Internacional da Mulher, olhar para essas ações também é reconhecer que uma sociedade mais justa começa a se formar desde cedo. Investir em informação, cuidado e respeito na infância é fortalecer as bases para relações mais saudáveis e para um futuro com mais igualdade, segurança e dignidade para todos.
Assista aqui nosso minidocumentário sobre o projeto Previna-se.