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Blog | 15.06.2026 | Publicado por COMUNICAÇÃO ASA

Junho Violeta: envelhecer com dignidade é um compromisso coletivo

A mobilização convida a sociedade a combater a violência contra a pessoa idosa e a fortalecer redes de cuidado, proteção e garantia de direitos.

O dia 15 de junho, marcado como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, nos convida a olhar com mais atenção para uma realidade que muitas vezes permanece silenciosa: as violações de direitos sofridas por pessoas idosas em diferentes contextos. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data mobiliza governos, organizações e a sociedade para enfrentar a violência contra quem envelhece e promover uma cultura de respeito, proteção e dignidade.

Junho Violeta no Brasil

No Brasil, a data inspira as ações do Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e enfrentamento às violências contra as pessoas idosas. A mobilização chama a atenção para diferentes formas de abuso e negligência e busca fortalecer a rede de proteção e garantia de direitos. Em 2026, a campanha do Governo Federal traz como tema a relação entre tecnologias, inclusão e ancestralidade, destacando a importância de promover a participação social das pessoas idosas e ampliar sua proteção também nos ambientes digitais.

A urgência desse debate se reflete nos números: entre janeiro de 2024 e abril de 2026, o Disque 100 registrou mais de 435 mil denúncias e 2,5 milhões de violações de direitos contra pessoas idosas. Os dados mais recentes também indicam crescimento das denúncias, que passaram de 58 mil para 75,7 mil entre os primeiros quatro meses de 2025 e 2026, um aumento de 29,8%. Os registros mostram que grande parte dessas situações ocorre dentro do ambiente familiar e envolve negligência, abandono, violência psicológica, violência patrimonial e maus-tratos.

Os números evidenciam a dimensão de um desafio que tende a crescer nos próximos anos. À medida que a população brasileira envelhece, torna-se cada vez mais necessário fortalecer políticas públicas, redes de apoio e iniciativas de proteção que garantam qualidade de vida, autonomia e participação social às pessoas idosas. Viver mais é uma conquista coletiva, mas assegurar que esse envelhecimento aconteça com dignidade é uma responsabilidade compartilhada. Nesse contexto, a violência contra a pessoa idosa deve ser compreendida não apenas como um problema individual ou familiar, mas como uma questão de direitos humanos e cidadania.

A violência nem sempre é visível

Nem toda violência contra a pessoa idosa deixa marcas visíveis. O isolamento social, a invisibilização, a falta de escuta e o desrespeito às suas escolhas são formas de violência que muitas vezes passam despercebidas, mas afetam profundamente a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida. Quando alguém é tratado como incapaz apenas por envelhecer, seus direitos e sua dignidade também são colocados em risco.

De acordo com a cartilha Violência contra a pessoa idosa: vamos falar sobre isso, desenvolvida pelo Governo Federal, as violências contra a pessoa idosa podem ser visíveis ou invisíveis. Enquanto as primeiras resultam em lesões físicas ou morte, as segundas se manifestam por meio de situações que provocam sofrimento, medo, insegurança e isolamento, muitas vezes sem chegar aos sistemas de denúncia e proteção.

A publicação destaca ainda que a violência pode assumir diferentes formas e ocorrer em diversos contextos. Entre as principais estão a violência física, psicológica, a negligência, a violência institucional, o abuso financeiro, a violência patrimonial, a violência sexual e a discriminação. Embora se manifestem de maneiras distintas, todas representam violações de direitos e comprometem a dignidade, a segurança e o bem-estar das pessoas idosas.

A esse cenário somam-se os desafios do ambiente digital. Golpes financeiros, fraudes eletrônicas, desinformação e manipulação online afetam cada vez mais pessoas idosas. Os impactos dessas situações vão além das perdas financeiras e podem gerar medo, insegurança e afastamento da vida digital. Por isso, iniciativas de educação digital e midiática têm ganhado destaque nas ações de proteção e promoção de direitos, contribuindo para ampliar a autonomia, a segurança e a participação dessa população em uma sociedade cada vez mais conectada.

Cultura de valorização e respeito

O enfrentamento da violência contra a pessoa idosa passa pela construção de uma cultura de respeito e valorização do envelhecimento. Segundo orientações da cartilha mencionada acima, é fundamental reconhecer o envelhecimento como uma etapa natural da vida, combater atitudes discriminatórias e rejeitar práticas que desrespeitem ou infantilizem as pessoas idosas. A prevenção também envolve estar atento a sinais de violência ou sofrimento, promover o respeito entre as gerações e denunciar situações de violação de direitos.

Em 2003, foi instituído o Estatuto da Pessoa Idosa, ampliando a proteção dos direitos relacionados à saúde, assistência social, transporte, cultura, lazer e acesso à justiça. Políticas públicas como essa são fundamentais para garantir o envelhecimento com dignidade, respeito e segurança. Elas contribuem para a prevenção de situações de violência, negligência e exclusão social, além de promoverem o acesso a serviços essenciais e oportunidades de participação comunitária.

E, hoje, já existem serviços específicos direcionados ao atendimento de pessoas com 60 anos ou mais. O Centro Dia para Idosos é voltado prioritariamente a beneficiários do BPC-LOAS e inscritas no CadÚnico, com dependência física e/ou cognitiva leve a moderada. O serviço tem como objetivo prevenir a institucionalização, o isolamento social e as violações de direitos, promovendo proteção social, autonomia, convivência comunitária e qualidade de vida.

O trabalho da ASA: cuidado, autonomia e proteção

Desde 2016, ASA administra o CDI Lar Santo Alberto e desenvolve uma programação diversificada de atividades físicas, cognitivas, culturais, educativas e de convivência. Caminhadas orientadas, danças, jogos de memória, rodas de conversa, oficinas sobre direitos e prevenção de violências, atividades culturais e encontros com familiares integram uma rotina voltada ao fortalecimento de vínculos, à inclusão social e à valorização das trajetórias de vida das pessoas atendidas.

Entre as iniciativas de destaque estão as oficinas de informática, realizadas duas vezes por semana. Elas promovem a inclusão digital, estimulam habilidades cognitivas, a sociabilidade e a autonomia, além de ampliar o acesso à informação, aos serviços e às relações sociais, contribuindo para a participação cidadã e o bem-estar das pessoas idosas. E estão alinhadas ao Estatuto da Pessoa Idosa, que prevê a criação de oportunidades de acesso à educação por meio de metodologias e conteúdos adequados às especificidades desse público.

Mais do que oferecer atendimento, a unidade da ASA  constrói uma rede de cuidado que envolve familiares, cuidadores, profissionais e a comunidade. Reuniões com famílias, visitas domiciliares e articulação com a rede socioassistencial ampliam a proteção e o apoio às pessoas idosas, reconhecendo que o cuidado é uma responsabilidade compartilhada e fundamental para a promoção do bem-estar.

Os resultados desse trabalho são percebidos por todos. Muitos atendidos relatam melhorias na autoestima, no bem-estar emocional, na socialização e na capacidade de realizar atividades de forma mais autônoma. “Aprendi com as oficinas de informática a fazer tudo sozinho e pude descobrir um mundo diferente”, relata Walter Rodrigues, de 69 anos. Para a Benedita Cavanha, de 86 anos, “as atividades realizadas no Centro Dia são muito importantes para mim e totalmente diferentes de tudo aquilo que já aprendi”. Familiares também destacam os impactos positivos do serviço na qualidade de vida de seus entes queridos, ressaltando o acolhimento, a dedicação da equipe e as oportunidades de aprendizado, convivência e resgate de memórias .

Como destaca Sandra Leme da Costa, gerente do CDI Lar Santo Alberto, o trabalho desenvolvido pela ASA vai muito além da prestação de um serviço: “Trata-se de uma verdadeira transformação de vidas, promovendo acolhimento, pertencimento, autonomia e dignidade às pessoas idosas. Cada atividade representa uma oportunidade de resgatar sonhos, fortalecer a autoestima, estimular capacidades e valorizar histórias construídas ao longo de uma vida inteira”. Dessa forma, o CDI reafirma seu compromisso de transformar o envelhecimento em uma experiência mais digna, ativa, participativa e feliz.

Envelhecer com dignidade é um compromisso coletivo

O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa nos lembra da importância de combater todas as formas de violência. Mas, de acordo com Sandra, a data nos convida a dar um passo além: construir uma cultura do cuidado, baseada no respeito, na escuta e na valorização das pessoas idosas. “Isso significa reconhecer o envelhecimento como uma etapa da vida marcada por direitos, oportunidades e contribuições; promover ambientes acolhedores, acessíveis e inclusivos; e entender que a proteção das pessoas idosas é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, comunidade, poder público e organizações da sociedade civil”, afirma.

Ao fortalecer vínculos, incentivar a participação social e reconhecer o protagonismo das pessoas idosas, contribuímos para uma sociedade mais justa e solidária para todas as gerações. Construir uma cultura do cuidado exige atenção cotidiana, compromisso coletivo e ações concretas que promovam respeito, inclusão e garantia de direitos.

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