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Blog | 24.08.2026 | Publicado por COMUNICAÇÃO ASA

Mês de conscientização ao aleitamento materno

CEIs da ASA recebem certificação por promover apoio ao aleitamento materno

A entrada de um bebê na escola não precisa significar o fim da amamentação. Pelo contrário: preparados para acolher mães e crianças, oferecer condições adequadas e estabelecer uma parceria com as famílias, os Centros de Educação Infantil (CEIs) podem se tornar parte importante da rede de apoio à continuidade do aleitamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e, a partir daí, a introdução de alimentos adequados e seguros, mantendo a amamentação até os dois anos ou mais. Além de contribuir para o crescimento e o desenvolvimento, o aleitamento oferece proteção contra diversas infecções e traz benefícios para a saúde da mulher. Para que essa recomendação possa ser colocada em prática, porém, as famílias precisam encontrar condições favoráveis nos diferentes espaços que fazem parte de sua rotina.

O papel dos CEIs no apoio ao aleitamento materno

É nesse ponto que a educação infantil pode fazer diferença. Permitir que a pessoa que amamenta vá ao CEI durante o dia, disponibilizar um espaço confortável e reservado e receber, armazenar e oferecer leite materno ordenhado são atitudes que ajudam a evitar que a entrada da criança na escola resulte em uma interrupção antecipada do aleitamento.

Na Rede Municipal de Ensino de São Paulo, esse apoio é orientado pela própria Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP). O Manual de Normas e Procedimentos da SME estabelece ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno nas unidades educacionais e orienta que a matrícula dos bebês e das crianças não deve desestimular a amamentação, mas possibilitá-la pelo tempo que a família desejar. Entre as medidas previstas estão o acolhimento e a orientação das famílias, a disponibilização de ambientes que favoreçam a amamentação e o apoio à extração, ao recebimento, armazenamento, manuseio e oferta do leite materno.

Selo CEI Amigo do Peito

O Selo CEI Amigo do Peito, iniciativa da SME-SP, reconhece unidades que desenvolvem ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Criado em 2018, o selo considera três dimensões do cotidiano dos CEIs: família, equipe e ambiente. Para receber ou renovar a certificação, a unidade deve atender a pelo menos 50% dos critérios estabelecidos em cada eixo, que envolvem o acolhimento e a orientação das famílias, a formação dos profissionais e a organização de espaços e práticas que favoreçam a amamentação.

A certificação e a renovação anual do Selo CEI Amigo do Peito ocorrem em agosto, como parte da programação do Agosto Dourado. Ao longo do mês, a secretaria também realiza encontros formativos nas 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs), reunindo profissionais da rede e especialistas para discutir o tema e fortalecer as práticas de apoio nas unidades. Os encontros ainda permitem que os CEIs compartilhem experiências e conheçam iniciativas desenvolvidas em outras unidades.

“O encontro é muito rico porque reúne as unidades e especialistas para falar sobre a importância de promover e divulgar o aleitamento materno. Ao mesmo tempo, os próprios CEIs compartilham suas experiências e mostram o que têm feito no dia a dia. É uma oportunidade de conhecer práticas que estão dando certo e levar novas ideias para a nossa realidade”, destaca Livia Medeiros Gonçalves, diretora do CEI Santo Agostinho.

Quando a escola apoia, a amamentação pode continuar

A experiência do CEI Santo Agostinho da ASA mostra como essas orientações podem ganhar forma no cotidiano. Na unidade, as mães podem entrar para amamentar seus filhos sempre que necessário. O CEI organizou um espaço confortável e reservado, com uma poltrona próxima ao berçário, para acolher esse momento. “A amamentação não é só uma questão alimentar. É também uma troca afetiva”, destaca Livia.

O aleitamento acontece em livre demanda, sem um horário fixo estabelecido pela unidade. A mãe pode comparecer sempre que sentir necessidade. Também é possível enviar leite materno ordenhado. A família recebe orientações sobre a coleta, o congelamento e o armazenamento, e a unidade mantém o leite em freezer específico, devidamente identificado, para que seja oferecido à criança de acordo com a quantidade necessária para cada mamada e seguindo os procedimentos estabelecidos.

O Manual da SME orienta que o apoio à amamentação não depende necessariamente da existência de uma sala exclusiva. O aleitamento pode acontecer em diferentes espaços da unidade, desde que sejam garantidas condições de conforto, tranquilidade e privacidade. A organização de um ambiente específico, quando possível, contribui para demonstrar às famílias que aquele é um espaço de acolhimento.

Um trabalho que envolve toda a equipe

Garantir a continuidade do aleitamento também exige que toda a equipe esteja envolvida. No CEI Santo Agostinho, a cozinha tem um papel fundamental nesse processo. “A equipe da cozinha também é essencial nesse processo. Existe uma parceria muito grande entre todos nós para receber o leite materno, identificar a quantidade que cada criança precisa e garantir que ele seja oferecido de forma adequada. É um trabalho que exige atenção e cuidado, e que só funciona porque todos estão envolvidos”, explica Livia.

Essa atuação integrada está alinhada às orientações da SME, que prevê o envolvimento dos diferentes profissionais da unidade nas ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento. Assim, o cuidado não fica restrito à direção ou aos professores: passa também pela equipe responsável pela alimentação e pelos demais profissionais que fazem parte da rotina das crianças.

Amamentar é um direito — e informar as famílias também

Se a escola precisa estar preparada para apoiar a amamentação, as famílias também precisam saber que esse direito existe. Segundo Livia, muitas mães chegam ao momento da matrícula acreditando que, quando a criança entra no CEI, precisam interromper o aleitamento. “Antes mesmo de matricular o filho, algumas começam a tirar do peito para que, quando ele chegue à unidade, já esteja adaptado à fórmula”, relata.

A situação mostra como a falta de informação pode antecipar uma interrupção que talvez nem fosse necessária. Por isso, orientar a família desde a matrícula é parte importante do trabalho de acolhimento. No CEI Santo Agostinho, esse entendimento também significa reconhecer que a amamentação pode continuar enquanto mãe e criança desejarem, independentemente da idade ou da turma frequentada. “É um direito que as mães têm”, reforça Livia. Para ela, cabe à equipe acolher essa escolha e ajudar a incorporar a amamentação à rotina da unidade, mesmo quando isso exige um período de adaptação da criança.

Na ASA, essa trajetória começou pelo CEI Santa Helena, que recebeu o Selo CEI Amigo do Peito em 2024 e 2025. Em 2025, o CEI Bela Vista e o CEI Santo Agostinho também conquistaram a certificação. Em 2026, as três unidades renovaram esse compromisso e receberam novamente o selo. Afinal, apoiar a amamentação na educação infantil também é reconhecer que acolher o bebê é acolher sua família e criar condições para que esse vínculo possa continuar mesmo depois da chegada à escola.

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