Conselheiros, voluntários, doadores e membros honorários têm diferentes formas de participação, mas compartilham a responsabilidade de contribuir para a continuidade e o desenvolvimento da ASA.
Uma organização se sustenta pelas pessoas que escolhem fazer parte dela. Ao longo de mais de oito décadas, a Associação Santo Agostinho (ASA) reúne conselheiros, voluntários, doadores e membros honorários que contribuem para sua missão social voltada a crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade.
Para que esse trabalho continue pelas próximas décadas, não basta apenas contar com recursos e gestão: é preciso cultivar vínculos com pessoas dispostas a colaborar e assumir responsabilidades.
O Estatuto Social da ASA estabelece que são associados aqueles que se dedicam à realização dos objetivos da entidade e atendem às condições previstas para sua admissão. Essa relação pode assumir diferentes formas.
O Estatuto reconhece os associados contribuintes, que colaboram por meio de doações financeiras e/ou trabalho voluntário; os associados honorários, que contribuíram para a realização do propósito social da ASA; e os associados gestores, que integram ou integraram órgãos de administração e governança e desejam manter uma relação de longo prazo com a instituição.
Essa diversidade mostra que não há uma única maneira de estar ligado à ASA. Hoje, a organização conta com cerca de 190 associados, com diferentes histórias de aproximação e formas de colaboração.
Segundo o Guia das Melhores Práticas para Organizações do Terceiro Setor, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), os associados constituem a força motriz de uma associação, conduzindo esforços e atividades para o cumprimento de seu objeto social. Na ASA, esse compromisso está diretamente relacionado à realização de seu propósito. É nessa perspectiva que ganham relevância as experiências de quem participa diretamente da governança da instituição.
A relação de Maria Estela (Teli) Penteado Cardoso com a ASA foi construída ao longo de anos de participação e envolvimento. Sua trajetória inclui diferentes momentos na governança da instituição, entre eles a presidência e, atualmente, a vice-presidência do Conselho de Administração. Nesse percurso, esteve envolvida na reorganização da governança, na revisão do Estatuto Social e na criação do Fundo Patrimonial, acompanhando de perto questões relacionadas à participação dos associados, à renovação das lideranças e à sustentabilidade institucional. Essa experiência ajuda a compreender sua visão:
“O associado, independentemente da função que exerça, precisa ter o desejo de contribuir e de compartilhar aquilo que tem: conhecimento, tempo, recursos ou dedicação. Como se trata de uma atuação voluntária, essa disposição de contribuir é fundamental. Para mim, o sentido da filantropia está justamente em compartilhar aquilo que temos em benefício de uma causa na qual acreditamos.”
Entre as diferentes formas de atuação, a participação nos órgãos de governança envolve responsabilidades específicas. Na ASA, essas funções são exercidas voluntariamente. Entre os deveres dos associados estão dedicar-se ao cumprimento do propósito social, comparecer às Assembleias Gerais, exercer as responsabilidades assumidas em funções de governança e oferecer cooperação moral, material e intelectual para o desenvolvimento da ASA.
“Vejo o papel do associado diretamente relacionado à missão e à visão da organização e à responsabilidade de acompanhar se aquilo que a ASA se propõe a realizar está sendo efetivamente cumprido. É uma participação que envolve proximidade, acompanhamento e compromisso com os propósitos da instituição.”
O Estatuto prevê entre os direitos dos associados a participação nas Assembleias Gerais, com direito a voz, além da possibilidade de propor programas, projetos, comissões e grupos de trabalho. Na prática, o vínculo com a ASA também pode se expressar pelo envolvimento em atividades, pela mobilização de recursos, pelo compartilhamento de conhecimentos ou pela aproximação de novas pessoas.
Essa relação se fortalece no contato com o trabalho realizado pela entidade e no acompanhamento de suas ações. Por isso, a ASA tem criado momentos de encontro e diálogo com seus associados. Segundo a vice-presidente:
“Além da Assembleia Geral, que ocorre anualmente e apresenta as ações e os resultados da organização, passamos a promover encontros com outros formatos, criando oportunidades para que os associados conheçam melhor o trabalho realizado, acompanhem o que está acontecendo e encontrem diferentes formas de participar.”
O voluntariado também pode favorecer essa aproximação. Pessoas que inicialmente colaboram em atividades específicas podem, ao longo do tempo, tornar-se associadas e ampliar sua atuação junto à ASA.
A colaboração também se manifesta por meio dos comitês que apoiam a governança e a gestão. Atualmente, a ASA conta com Comitê Executivo, Comitê de Pessoas, Comitê Financeiro e Comitê de Investimentos, que reúnem pessoas com experiência em temas específicos.
Esses grupos aprofundam análises, reúnem informações e formulam recomendações para subsidiar as decisões do Conselho de Administração. Todos se reportam ao Conselho, que permanece como a instância responsável pelas deliberações. A estrutura permite reunir conhecimentos distintos em torno de questões específicas, mantendo definidas as responsabilidades de cada instância.
Nesse modelo, associados e outras pessoas que colaboram com a ASA podem colocar seus conhecimentos, experiências e disponibilidade a serviço de múltiplas frentes de atuação.
Manter uma instituição ao longo das décadas exige preservar o que foi construído e, ao mesmo tempo, criar condições para que novas pessoas possam conhecê-la e assumir responsabilidades. Na governança, isso significa pensar não apenas na composição atual dos espaços de decisão, mas também na preparação de pessoas que possam exercer novas funções ao longo do tempo.
Para Teli Penteado Cardoso, esse olhar precisa considerar desde já quem estará à frente da ASA nas próximas décadas.
“Precisamos pensar desde já em quem estará à frente da ASA daqui a 20 ou 30 anos. A sucessão faz parte da sustentabilidade institucional e exige que novas pessoas tenham espaço para conhecer a organização, assumir responsabilidades e, gradualmente, dar continuidade ao trabalho realizado pelas gerações anteriores.”
A renovação também passa pela chegada de novas gerações aos espaços de participação. Marcos Inocencio, conselheiro, mentor, autor do livro Crescer é Escolher e atualmente Co-Founder e Managing Partner da Pypou, chegou à ASA em 2024 por meio do presidente do Conselho de Administração, Luis Alvaro Moreira Ferreira Filho. Ao conhecer a história, as pessoas e o trabalho da organização, construiu um vínculo com a instituição.
“Foi uma daquelas aproximações que nascem da confiança, da admiração e de valores compartilhados. Aos poucos, passei a conhecer mais profundamente a história, as pessoas e o propósito da organização. O que começou como uma conexão tornou-se um vínculo genuíno com a ASA e com tudo o que ela representa.”
As diferentes formas de colaboração podem se complementar. Trabalho voluntário, experiência profissional, conexões e recursos financeiros são maneiras pelas quais os associados podem contribuir para a ASA e fortalecer sua atuação. Para Marcos Inocencio, esse vínculo se constrói a partir da disposição de colocar diferentes recursos a serviço de um propósito.
“Acredito que o futuro da filantropia e do desenvolvimento social passa por um engajamento genuíno. Gostaria de ver os associados cada vez mais próximos da ASA, conhecendo seu trabalho, participando da sua construção e contribuindo com tempo, experiência, conexões e recursos financeiros. O voluntariado nos envolve e mobiliza. O investimento dá continuidade ao trabalho e permite ampliar seu alcance. O impacto ganha força quando os dois caminham juntos.”
Como integrante de uma nova geração de conselheiros, Marcos vê a renovação como uma oportunidade de aproximar diferentes experiências e perspectivas. Para ele, criar espaço para que novas pessoas conheçam a ASA, participem das discussões e estabeleçam seus próprios vínculos pode favorecer a continuidade do trabalho, combinando a experiência acumulada pela instituição com novas formas de mobilização e atuação.
“Significa cuidar de uma história construída por muitas pessoas e assumir uma responsabilidade com o futuro. A ASA chegou até aqui porque sucessivas gerações decidiram se comprometer com seu propósito. Nossa responsabilidade é dar continuidade a esse trabalho, acompanhando as necessidades da sociedade e garantindo condições para que ela siga transformando vidas. Isso exige dedicação, boa governança e recursos. O compromisso também se expressa nas decisões que tomamos para sustentar a missão ao longo do tempo.”
Nesse processo, cada associado pode encontrar sua própria forma de estar próximo da ASA: acompanhando suas atividades, participando das Assembleias, colocando conhecimentos e experiências a serviço de suas iniciativas, dedicando tempo ao voluntariado, mobilizando recursos ou assumindo responsabilidades de governança. São diferentes formas de contribuir para uma instituição que, ao reunir pessoas, experiências e compromissos, mantém sua capacidade de atuar no presente e se preparar para o futuro.